Chaves para compreender o anúncio das sagrações episcopais
O anúncio
1. Foi feito um anúncio importante a respeito da vida da Igreja: em breve serão sagrados novos bispos para garantir a continuidade da vida católica tradicional por meio do apostolado da Fraternidade São Pio X.
2. A sagração de bispos para a Fraternidade é um ato excepcional. Só pode ser compreendida à luz da situação excepcional que a Igreja atravessa hoje.
3. Este anúncio requer uma compreensão reta e completa. Todo católico verdadeiro deseja permanecer fiel e, portanto, deve saber que a Fraternidade São Pio X não se afasta do caminho da salvação nem desvia as almas dele; mas, ao contrário, a Fraternidade cumpre, com um grave dever de caridade, socorrendo às almas cujos direitos fundamentais à verdade e aos meios de salvação já não estão garantidos.
O direito dos fiéis: dispor dos meios para viver a fé
4. A missão primeira e essencial da Igreja é a salvação das almas. Toda realidade pastoral, disciplinar ou canônica só tem valor na medida em que serve efetivamente a esse fim.
5. Essa missão exige meios concretos e objetivos: a fé deve ser ensinada integralmente, o culto prestado com santidade, os sacramentos administrados válida e dignamente, e a autoridade exercida realmente em ordem ao bem sobrenatural das almas.
6. O episcopado é indispensável para essa missão. Os bispos conferem a crisma, ordenam os sacerdotes e consagram os santos óleos necessários à vida sacramental.
7. A comunhão eclesial, que se apoia na unidade da fé, do culto e de um governo ordenado ao verdadeiro bem comum, realiza-se não apenas no espaço, mas também no tempo, em continuidade com o magistério de todos os séculos. A Tradição é uma herança fecunda da qual nenhum fiel pode ser privado.
A constatação: a situação presente
8. Hoje nos encontramos diante de um verdadeiro estado de necessidade, concreto e objetivo. Não se trata de uma opinião nem de um slogan, mas de uma constatação pastoral: a confusão doutrinal, o enfraquecimento moral, o empobrecimento litúrgico, os sacramentos incertos e a deficiência dos pastores comprometem gravemente a vida cristã e privam numerosas almas dos auxílios necessários para sua salvação.
9. Essa situação se inscreve numa continuidade doutrinal: o Concílio Vaticano II e seus princípios deletérios continuam sendo o quadro de referência; o pontificado de Francisco agravou a crise e, longe de remediá-la, o pontificado atual se insere nessa mesma orientação, sem corrigi-la.
10. No contexto atual do desenvolvimento da Fraternidade, os dois bispos atualmente em exercício, que vão envelhecendo, já não são suficientes para a tarefa.
11. Quando falta o essencial, a caridade ordena agir. Permanecer passivo diante de um crescente abandono espiritual seria uma falta grave: não se pode permanecer indiferente diante da perda da fé, da desorientação das consciências e da privação de um alimento espiritual são.
As alternativas à Fraternidade: verdadeiras soluções?
12. Hoje não existe nenhum bispo oficial em condições de cooperar com o ministério da Fraternidade ou de assumir publicamente a transmissão livre, estável e duradoura da Tradição íntegra.
13. Os chamados ambientes conservadores não constituem uma resposta adequada à crise:
– embora possam fazer algum bem de maneira pontual, dependem estruturalmente de uma tolerância precária, ligada a privilégios revogáveis;
– essa situação gera ambiguidade doutrinal, compromissos práticos e, a longo prazo, um relativismo que enfraquece a fé e reduz a liberdade de dar pleno testemunho da verdade católica.
Essas soluções não são nem estáveis, nem livres, nem proporcionadas ao estado de necessidade atual.
A resposta ao estado de necessidade
14. Nas circunstâncias atuais, a Fraternidade São Pio X aparece como a única resposta plenamente adequada. É a única capaz de transmitir sem condicionamentos a fé católica íntegra, a moral, a liturgia tradicional e o sacerdócio.
15. A continuidade dessa obra, meio privilegiado para permanecer fiéis à Igreja, necessita de bispos. Estes são necessários para garantir a transmissão do sacerdócio e uma vida sacramental ordenada à salvação das almas.
16. Não se trata nem de uma ruptura, nem de uma provocação, nem da constituição de uma “Igreja paralela” ou de uma hierarquia paralela. Nossos bispos não usurpam nenhuma jurisdição; recebem unicamente o poder de ordem. Trata-se de um ato de suplência, realizado para servir à Igreja servindo às almas, ali onde suas necessidades vitais já não são garantidas de modo ordinário.
17. As novas sagrações respondem, portanto, diretamente a uma necessidade objetiva, ligada a uma situação anormal e temporária. Esse regime de exceção deixará de ser necessário no dia em que a autoridade da Igreja cumprir novamente, de maneira ordinária, a transmissão íntegra da fé, dos sacramentos e do sacerdócio.
A atitude dos fiéis
18. Os fiéis são chamados a permanecer firmes na fé católica, por meio da oração, da vida sacramental e da prática das virtudes cristãs.
19. Cabe-lhes aprofundar pessoalmente as razões da decisão tomada pelo Superior Geral, para a ela aderirem de maneira refletida e prudente.
20. São também convidados a permanecer na paz sobrenatural. Nem agitação, nem temor, nem juízos precipitados, mas confiança na Providência.
21. A oração pela Igreja e por seus pastores é mais necessária do que nunca. Deus não abandona a sua Igreja. Cabe-nos preparar nossos corações, no recolhimento e na fé, para esse ato grave, justo e necessário.